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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O QUE LER EM 2017



1.      Coleção Airton Queiroz
Camila Perlingeiro (Org.)
Pinakotheke


2.      Um útero é do tamanho de um punho
Angélica Freitas
Cosacnaify

3.      Cidade Aberta
Teju Cole
Companhia das Letras

4.      Nihonjin
Oscar Nakasato
Benvirá



5.      O oitavo selo: quase romance
Heloisa Seixas
Cosacnaify

6.      Uma duas
Eliane Brum
Leya

7.      Gonzos e parafusos
Paula Parisot
Leya



8.      O que aprendi sendo xingado na internet
Leonardo Sakamoto
Leya

   9.      A filha perdida
Elena Ferrante
Intríseca

   10.  A desumanização
Valter Hugo Mãe
Cosacnaify



11.  Vozes de Tchernóbil: a história oral do desastre nuclear
Svetlana Aleksiévitch
Companhia das Letras




12.  It’s  all true: E o Brasil de Orson Welles ( 1942 – 1993)
Márcia Juliana santos
Alameda

13.  Poemas escolhidos
Mia Couto
Companhia das Letras

14.  Enclausurado
Ian McEwan
Companhia das Letras


   15.  Um rio, uma guerra
Luiz Taques
Kan

  16.  Literatura e outras linguagens
Jaquelânia Aristides Pereira
Maria Valdênia da Silva (Orgs.)
Bagagem



   17.  Para Belchior com amor
Ricardo Kelmer (Org.)
Miragem

18.  Histórias da gente brasileira (vol. 1. Colônia)
Mary Del Priore
Leya

19.  As cartas de Ernest Hemingway: 1907 – 1922
Editado por Sandra Spanier & Robert W. Trogdom
Martins Fontes



20.   As águas-vivas não sabem de si
Aline Valek
Fantástica Rocco

21.  Mário Pedrosa: arte e ensaio
Lorenzo Mammì (Org.)
Cosacnaify


   22.  Crônicas (volume 1)
Bob Dylan
Planeta

   23.  Ideia de prosa
Giorgio Agamben
Autêntica





  24.  A louca da casa
Rosa Montero
Ediouro

25.  O sol e o peixe: prosas poéticas
Virgínia Woolf
Autêntica

26.  Censores em ação: como os estados influenciaram a literatura
Robert Darnton
Companhia das Letras



27.  Cravos
Júlia Wähmann
Record


28.  A vista particular
Ricardo Lísias
Alfaguara

29.  Hélio Oiticica, a asa branca do êxtase: arte brasileira de 1964 – 1980
Gonzalo Aguilar
Anfiteatro

30.  A herança do absurdo
Gil Vicente Tavares
EDUFBA




31.  Sertão: poetas e prosadores
Bruno Paulino
Expressão Gráfica



32.  Xica da Silva: A Cinderela negra
Ana Miranda
Record

33.  Conquistadores: Como Portugal forjou o primeiro império global
Roger Crowley
Crítica



34.  A invenção da natureza: A vida e as descobertas de Alexander Von Humboldt
Andrea Wulf
Crítica



35.  Made in Macaíba: A história da criação de uma utopia científico-social no ex-império dos tapuias
Miguel Nicolelis
Crítica

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

UIVO - GRAPHIC NOVEL

A permanência de um texto literário  ao longo do tempo se dá como resultado da qualidade do próprio texto, assim como o impacto que causa no leitor.  Não é preciso "divagar" muito para se deduzir que é isso o que acontece como o poema Uivo (1956), de Allen Ginsberg (1926 - 1997). Trata-se de um texto de extrema qualidade poética, que beira o profético ao apontar sua metralhadora giratória da palavra em direção à sociedade excludente norte-americana. Certamente que ninguém aponta um poema para o coração do sistema, e sai impunemente. As sucessivas tentativas de censura e criminalização não forma suficientes para impedir que Uivo se tornasse um dos poemas mais lidos do século XX. E não nos parece exagero afirmar, que continuará sendo lido por seguidas gerações por todo o século XXI  e enquanto existir um leitor e um texto.

Os textos dos autores da Geração Beat não foram concebidos para caber bonitinhos na forma tradicional do livro. Os beatniks sabiam que nem eles, nem suas obras nasceram para se tornar peças canônicas de uma estrutura literária limitada. Os avanços tecnológicos e as inúmeras propostas multimodais surgidas a partir deles possibilitaram um gama de inovações que facilitaram a apresentação de um texto literário, pensado antigamente para caber no livro impresso, em diversos outros suportes e abordagens. Daí, um poema como Uivo, poder ser disponibilizado em formato de longa-metragem ou de graphic novel, por exemplo.

E é isso que faz Eric Drooker ao criar os quadros da animação do longa Uivo (2010), dirigido por Rob Epstein e Jeffrey Friedman, tendo sido publicado no Brasil, como graphic novel, no ano de 2012, pela editora Globo, tendo sido traduzido por Luis Dolhnikoff. A  graphic novel de Drooker traz uma introdução, seguida dos capítulos "Quem" (I), "Moloch" (II), "Rockland" (III) e "Nota de rodapé a Uivo" (IV); além de notas de tradução (p. 220 - 221) e agradecimentos do autor aos que contribuíram com o trabalho (p.222).  Eric Drooker já havia colaborado com Ginsberg no livro Illuminated Poems (1996). Fotos de Ginsberg e Drooker ilustram a primeira contracapa (foto de Ken Taranto), a página 223 ( foto de Denise Keim) e a segunda contracapa (foto de Steven Taylor).

Sobre Allen Ginsberg, convém ressaltarmos o que afirma Bob Dylan, quando diz: "Ginsberg é ao mesmo tempo trágico e enérgico, um gênio lírico e um antagonista extraordinário, provavelmente a maior influência individual na dicção poética norte-americana desde Whitman". Tá dito.

A graphic novel, de Eric Drooker não é ambiciosa e, certamente deixa escapar muito da caudalosidade poética do autor de A balada dos esqueletos (1995). Contudo, o autor sabe muito bem da árdua tarefa que seria dar conta de um texto que é só lâmina. Sua leitura, no entanto, contribui para que, posto no suporte da graphic novel, o poema de Ginsberg possa alcançar outro tipo de leitor, se perpetuando assim, atemporalmente.

Para saber mais:

http://www.drooker.com/graphic-novels 

https://en.wikipedia.org/wiki/Allen_Ginsberg