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Princesa Teresa da Baviera |
O Brasil ainda é um grande
desconhecido, para seu próprio povo. Por razões, as mais variadas, inúmeros
brasileiros não conhecem seu próprio país, e não demonstram nenhum interesse em
conhecê-lo. E nesse misto de ignorância e alienação, muito da cultura nacional
vai escorrendo pelas coxias da memória (ou seria da desmemória?) em direção ao
fosso do esquecimento. Contudo, aquilo que para alguns é pobre, desnecessário e
desinteressante; para outros é culturalmente rico e merecedor de atenções.
Ao longo da história do
Brasil, muitos foram os estrangeiros que passaram por essas terras, registrando
seus mais íntimos detalhes; fossem eles ligados aos hábitos e costumes dos
nativos ou à fauna, flora e riquezas naturais encontradas no paraíso perdido
abaixo da linha do Equador. Dessa forma, tem-se os registros dos cronistas e
viajantes que por aqui estiveram, no período Colonial, bem como daqueles que,
já no período Imperial, também se renderam à cultura, curiosidades e exotismos
do país que surgia. Dentre tantos, nos chama a atenção os olhos de Therese von
Bayern (1850 – 1925), a princesa da Baviera.
Segundo o texto de A.A.
Bispo, hospedado no site http://www.academia.brasil-europa.eu,
Therese von Bayern foi uma das mais relevantes estudiosas da natureza e da
etnografia do Brasil. Infelizmente, continua o texto, ainda é pouco considerada
nos estudos brasileiros. Aos poucos, no entanto, tem adquirido certo
reconhecimento em meio aos estudos interculturais e científicos. Essa princesa,
conforme A.A. Bispo, é talvez a de maior erudição entre aristocratas alemãs do
século XIX, sendo considerada hoje por alguns estudiosos como uma personalidade
feminina à altura de um Alexander von
Humboldt.

A América do Sul, continua
A.A. Bispo, constituiu desde cedo o principal centro de interesse da princesa.
Seguia, aqui, a tradição que, desde Spix e Martius, unia
cientifico-culturalmente a Baviera ao continente americano. A princesa realizou
três expedições à América do Sul, realizando observações em 23 diferentes
grupos indígenas até então pouco ou não conhecidos dos cientistas europeus.
Percorreu os pampas argentinos, atravessou os Andes e o deserto do Atacama.
Visitou regiões de difícil acesso no Amazonas e no Leste do Brasil. Os
materiais que trazia das viagens expunha num museu particular. Após a sua
morte, em 1925, a coleção passou a fazer parte da Coleção Estatal
Científico-Natural da Baviera.



Ainda no ano de 2014, a
grande contribuição aos estudos acerca da obra da princesa Teresa da Baviera, é
dada pelo pesquisador e tradutor André Frota de Oliveira, quando traz a lume a
tradução completa para o português de Meine
Reise in den Brasilianischen Tropen, de 1897. Traduzida por ele como Minha viagem nos trópicos brasileiros. A
tradução do professor André Frota de Oliveira foi revisada por Christian
Heimpel, o qual também ficou responsável pelo estudo introdutório para o leitor
brasileiro. Além do texto cuidadosamente traduzido, a edição de André Frota de
Oliveira traz dois mapas, quatro pranchas, 18 ilustrações de página inteira e
60 estampas de texto; reproduzindo também fotografias do grupo viajante, bem
como desenhos da autora.
A obra traz o prefácio da
autora (p. 41), Apêndice (p. 481), bibliografia utilizada (p. 487), índice
onomástico e de matérias (p. 506), explicação das pranchas etnográficas (p.
560), notas da autora (p. 566) e notas do tradutor (p. 636).
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Tradução de André Frota |
O trabalho que André Frota
de Oliveira coloca à disposição dos pesquisadores, constitui-se como resultado
de uma empreitada de fôlego, dedicação e paciência. A contribuição desse
trabalho para as pesquisas acerca do Brasil é de extremo valor, tornando-se desde
já referência para todo e qualquer estudo que objetive um aprofundamento acerca
da história, antropologia e cultura nacionais.
Sobre André Frota, o tradutor:
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/natureza-de-pesquisador-1.57803